Rondônia de Fato - Sua fonte de notícias na cidade de ...

Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2025

Geral

Hidrogênio verde no Brasil: potencial enfrenta altos custos e desafios de infraestrutura

Apesar das vantagens do Brasil em energia renovável, a produção do hidrogênio verde ainda esbarra na falta de regulamentação clara, alto custo de equipamentos e dificuldades na manutenção da pureza do gás.

Rondônia de Fato
Por Rondônia de Fato
Hidrogênio verde no Brasil: potencial enfrenta altos custos e desafios de infraestrutura
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O hidrogênio verde (H₂) é visto como um elemento estratégico crucial para a transição energética global e para o enfrentamento do aquecimento global. Ele é obtido por eletrólise da água (H₂O), usando eletricidade de fontes renováveis (hidrelétrica, solar e eólica). Seu subproduto é apenas vapor de água, diferentemente dos combustíveis fósseis.

O hidrogênio pode ser transformado em combustível para transporte (aviões, navios, caminhões), em amônia (NH₃) para fertilizantes e, de forma inovadora, na produção de “aço verde”. A pesquisa da engenheira química Patrícia Metolina, premiada pela USP, mostra que o H₂ verde pode substituir o coque de carvão na indústria siderúrgica, que atualmente é responsável por cerca de 7% das emissões globais de CO₂.

Patrícia Metolina destaca as vantagens do Brasil: “O Brasil tem um conjunto de vantagens que pode favorecer a produção de hidrogênio. Aqui, a gente poderia produzir o hidrogênio no Nordeste, por exemplo, onde há as eólicas, e ter uma siderúrgica próxima para consumir esse hidrogênio e fabricar um aço verde”.

Leia Também:

Investimentos e o Momento do Mercado

De olho neste mercado, o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) lançaram o Portal Brasileiro de Hidrogênio para atrair novos investidores.

Globalmente, a demanda por hidrogênio deve aumentar cinco vezes até 2050, e a América Latina concentra o segundo maior volume de investimentos anunciados (US$ 107 bilhões). A Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV) destaca que o mercado está amadurecendo. Segundo Fernanda Delgado, diretora da ABIHV, o momento atual separa “projetos fictícios de projetos reais”, com expectativas de 63 bilhões de investimentos para o início dos projetos até 2026. A maior parte está concentrada no Complexo de Pecém, no Ceará.

Desafios e Barreiras no Brasil

Apesar do otimismo, a implantação do hidrogênio verde enfrenta sérios desafios no país. Os principais problemas destacados por especialistas incluem:

Custos de Produção: Altos custos com infraestrutura e equipamentos caros, como eletrolisadores.

Logística e Regulamentação: Falta de infraestrutura para transporte e armazenamento, e a necessidade de um marco regulatório e tributário claro para atrair capital.

Qualidade e Manutenção: Dificuldade em obter hidrogênio puro e a dependência de água desmineralizada para a eletrólise.

Um projeto piloto da Coppe/UFRJ, inaugurado em 2023, é um exemplo das dificuldades. A professora Andrea Santos, coordenadora do LabTS, relatou problemas na qualidade da água (que não pode ser a da Cedae) e na manutenção de eletrolisadores importados, que precisam ser enviados à Alemanha. Sem uma indústria nacional para fabricar esses equipamentos, os custos de pesquisa e o avanço dos projetos ficam restritos.

Andrea Santos defende que o investimento é urgente: “Qualquer tecnologia no início vai custar mais caro. Mas a gente não tem mais como usar essa desculpa por conta da urgência de fazer a transição energética.” Ela espera que novos investimentos públicos e privados, especialmente no ano da COP30, permitam o avanço das pesquisas, normas técnicas e infraestrutura.

FONTE/CRÉDITOS: Admin User
Comentários:

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!