O Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Polícia Civil, divulgou na noite de domingo (2) um relatório detalhando o perfil de 115 dos 117 suspeitos mortos durante a megaoperação policial realizada no último dia 28 de outubro. A ação também resultou na morte de quatro policiais.
O documento, apresentado pelo governo Cláudio Castro (PL), lista os nomes dos mortos que, segundo a versão oficial, “resistiram à abordagem policial”. Dos 115 identificados, 97 possuíam algum tipo de passagem criminal, principalmente por tráfico de drogas. Em alguns casos, porém, não há especificação do delito cometido. O levantamento inclui ainda registros de atos infracionais cometidos quando menores de idade.
O governo também destacou 10 mortos sem histórico criminal, mas que teriam vínculo com o Comando Vermelho (CV), supostamente comprovado por imagens publicadas em redes sociais. Em um dos casos, um jovem de 18 anos, sem passagens pela polícia, foi incluído na lista por ter uma conta no Instagram criada em 2022 “sem fotos publicadas”, o que, segundo o governo, indicaria tentativa de apagar rastros digitais.
Entre os nomes divulgados, sete não possuem registros criminais nem informações sobre redes sociais, e há ainda um caso sem qualquer dado disponível. O governo informou também que dois laudos do Instituto Médico-Legal (IML) tiveram resultado inconclusivo, impossibilitando a identificação dos corpos.
De acordo com o levantamento oficial, mais de 95% dos mortos tinham vínculo comprovado com o Comando Vermelho, e 54% não eram naturais do Rio de Janeiro.
Origem dos mortos identificados
Segundo o relatório, 62 dos mortos eram de outros estados, sendo:
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19 do Pará
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12 da Bahia
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9 do Amazonas
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9 de Goiás
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4 do Ceará
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3 do Espírito Santo
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2 da Paraíba
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1 do Maranhão
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1 do Mato Grosso
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1 de São Paulo
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1 do Distrito Federal
O governo não informou quantos dos mortos eram alvo direto da operação, mas confirmou que nenhum deles constava na lista inicial de procurados.
A megaoperação — considerada uma das maiores já realizadas no estado — segue sob investigação e tem sido alvo de críticas de organizações de direitos humanos, que questionam a proporção da letalidade e a falta de transparência nos critérios adotados pelas forças de segurança.
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