Steven Gerrard não poupou elogios a Estêvão após a vitória do Chelsea por 2 a 0 sobre o Manchester United, no último sábado (31), em Stamford Bridge. Impressionado com a atuação do brasileiro, o ex-capitão do Liverpool destacou a personalidade ofensiva do atacante e apontou um problema que Xabi Alonso terá de resolver nos próximos meses: a disputa por espaço no setor ofensivo dos Blues, especialmente quando João Pedro estiver novamente à disposição.
Estêvão foi um dos destaques do triunfo londrino pela Premier League. Escalado como titular pela primeira vez na competição nesta temporada, o jogador de 19 anos permaneceu em campo até os 87 minutos e deixou o gramado sob aplausos da torcida. Participativo, especialmente durante a primeira etapa, o brasileiro finalizou seis vezes, acertou o alvo em três oportunidades e criou outras três chances para os companheiros.
A atuação poderia ter sido ainda mais marcante caso os dois gols que marcou não tivessem sido anulados por impedimento. Mesmo sem balançar as redes oficialmente, o atacante apresentou justamente as características que Gerrard considera importantes em um jogador de frente: iniciativa, objetividade e disposição para concluir as jogadas.
Gerrard destaca personalidade ofensiva de Estêvão e aponta disputa no ataque
Em participação no programa “The Overlap Daily”, Gerrard demonstrou entusiasmo com o futebol apresentado pelo brasileiro. O ex-jogador valorizou tanto a qualidade técnica quanto a maneira como Estêvão procura resolver as jogadas, sem prolongar desnecessariamente as construções ofensivas.
— Ele é realmente empolgante. É ótimo vê-lo jogar. O típico brasileiro, que preza pelo estilo e pela qualidade, mas eu gosto muito da franqueza dele. Gosto da vontade que ele tem de finalizar as jogadas.
A objetividade do atacante foi um dos aspectos mais ressaltados pelo inglês. Ao comparar o comportamento de Estêvão com aquilo que considera uma dificuldade de alguns jogadores do Liverpool no setor ofensivo, Gerrard destacou a importância de transformar as oportunidades em finalizações, sem insistir excessivamente na busca pelo lance perfeito.
— Se há alguma crítica a ser feita a alguns jogadores do Liverpool no ataque, eu diria que eles não finalizam o suficiente. Eles estão buscando aquele passe extra ou aquele toque de perfeição, enquanto o que eu gosto no Estêvão é justamente quando ele vem da esquerda, faz uma pequena jogada combinada e cruza a bola.
Gerrard também mencionou uma defesa importante de Senne Lammens, goleiro do Manchester United, diante de uma finalização do brasileiro. Para ele, mesmo em situações nas quais poderia optar por uma jogada mais trabalhada, Estêvão demonstra uma vontade constante de atacar o gol adversário.
— Foi uma defesa fantástica do goleiro do United, mas gosto da maneira como ele está ansioso para finalizar. Houve uma oportunidade no primeiro tempo em que ele poderia ter diminuído um pouco o ritmo do jogo e tentado recuar a bola até a entrada da área, mas ele queria ter aquela vontadezinha de ir lá e marcar um gol.
O elogio, porém, veio acompanhado de uma previsão sobre a concorrência que o brasileiro enfrentará no Chelsea. Com João Pedro em recuperação de uma lesão na coxa, Gerrard acredita que Alonso terá uma tarefa complicada para organizar as opções disponíveis no ataque.
— Então, ele está desesperado para impressionar o treinador, e vai dar trabalho para o Xabi quando o João Pedro voltar, porque Pedro Neto também é um ótimo jogador, mas cinco não cabem nesse quarteto ofensivo, então vai ser interessante — concluiu.
Estêvão responde em campo e ganha respaldo de Xabi Alonso
O reconhecimento de Gerrard acontece em um momento importante para Estêvão. Desde a chegada de Xabi Alonso ao comando do Chelsea, o brasileiro vem enfrentando dificuldades para conseguir sequência e acumular minutos em campo. A utilização reduzida alimentou questionamentos sobre o espaço reservado ao atacante, que chegou ao clube cercado de expectativa após se destacar no futebol brasileiro.
As perguntas sobre a situação do jovem se tornaram frequentes nas entrevistas do treinador espanhol, principalmente diante da diferença entre o potencial demonstrado pelo jogador e as oportunidades efetivamente concedidas. O próprio Estêvão, quando estava a serviço da seleção brasileira, foi questionado sobre a baixa minutagem, mas evitou qualquer confronto público e afirmou estar concentrado em conquistar seu espaço.
Os números ajudam a dimensionar a mudança proporcionada pela partida contra o Manchester United. Antes do confronto, Estêvão havia disputado seis jogos pela Premier League, acumulando apenas 47 minutos. Na Copa da Liga Inglesa, tinha sido titular em duas oportunidades, com 125 minutos em campo. No meio da semana, contudo, sequer saiu do banco na eliminação do Chelsea para o Liverpool. Em Stamford Bridge, recebeu 87 minutos para mostrar seu futebol.
Alonso, por sua vez, já havia sinalizado anteriormente que a intensidade e a exigência física da Premier League poderiam representar obstáculos para a adaptação do brasileiro. Depois da vitória sobre o United, no entanto, o treinador fez questão de valorizar a resposta apresentada pelo atacante, que havia sido informado previamente de que começaria a partida.
— Conversamos depois do jogo contra o Tottenham e ele sabia que jogaria hoje. Estêvão deu a melhor resposta possível para mostrar que merece mais e que estava preparado. É exatamente isso que se espera de um jogador, por isso estou muito feliz por ele. Ele merecia aproveitar a partida e teve uma boa sintonia com a torcida. Ele quase marcou aquele gol. No final, ele se esforçou muito; estava cansado, mas foi um dia positivo para ele — avaliou Alonso.
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