O crescente número de ataques contra comunidades cristãs na Nigéria levou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a afirmar que pode adotar medidas militares contra o país africano caso o governo local continue “a permitir o assassinato de cristãos”.
Em publicação feita no Truth Social, no dia 1º de novembro, Trump alertou que “os EUA interromperão toda a ajuda e assistência à Nigéria e podem entrar no país com armas em punho” para eliminar grupos terroristas islâmicos apontados como responsáveis pelas atrocidades.
“Se atacarmos, será rápido, feroz e decisivo — exatamente como os bandidos terroristas atacam nossos cristãos queridos. O governo nigeriano precisa agir imediatamente”, escreveu o presidente.
Segundo Trump, o Departamento de Defesa norte-americano já foi instruído a se preparar para uma possível operação caso a violência continue.
Acusações de genocídio e pressão política
O presidente convocou o deputado Riley Moore, da Virgínia Ocidental, para apresentar um relatório detalhado sobre a situação. Em entrevista ao jornal norte-americano The Daily Signal, Moore afirmou que “a Nigéria é o país mais perigoso do mundo para ser cristão”, com estimativas de mais de 50 mil fiéis mortos desde 2009 — sendo 7 mil somente em 2025.
De acordo com o parlamentar, grupos como Boko Haram, Estado Islâmico da África Ocidental (ISWAP) e militantes da etnia Fulani estariam entre os principais responsáveis pelos ataques.
“Esses grupos têm objetivos diferentes, mas um propósito em comum: eliminar os cristãos da Nigéria”, afirmou Moore, que também acusou o governo nigeriano de “fechar os olhos” diante do massacre.
Contexto histórico e reações diplomáticas
Moore, que atuou no Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos EUA, disse acompanhar a situação desde 2009, quando o Boko Haram ganhou notoriedade mundial após sequestrar centenas de meninas — episódio que originou a campanha “Bring Back Our Girls” (“Tragam Nossas Meninas de Volta”).
O congressista enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, pedindo que a Nigéria seja novamente incluída na lista de “Países de Preocupação Particular”, categoria usada pela legislação norte-americana para classificar nações que violam a liberdade religiosa.
Essa designação havia sido retirada durante o governo Biden, sob a justificativa de que a violência na Nigéria seria resultado de disputas territoriais e efeitos da mudança climática, e não de perseguição religiosa.
Trump, ao reinstaurar a classificação, liberou 15 instrumentos de pressão diplomática e econômica, como corte de ajuda financeira, bloqueio de cooperação militar e aplicação de sanções.
“A assistência militar enviada à Nigéria deveria ser usada para combater o Boko Haram e outras organizações terroristas. Mas isso claramente não está acontecendo”, criticou Moore.
Escalada de tensão
Apesar do tom enérgico, aliados do presidente afirmam que Trump busca pressionar diplomaticamente o governo nigeriano antes de qualquer ação direta.
“Acho que isso pode ser resolvido sem uma resposta militar imediata”, disse Moore. “O objetivo é proteger comunidades cristãs, não mudar o governo da Nigéria.”
O governo nigeriano, por sua vez, reagiu às declarações e classificou as acusações como “infundadas e desrespeitosas”, reiterando que combate o terrorismo em todas as suas formas, independentemente da religião das vítimas.
Enquanto a tensão diplomática cresce, analistas internacionais alertam que a postura norte-americana pode ampliar o isolamento da Nigéria em fóruns multilaterais e dificultar o diálogo regional sobre segurança e liberdade religiosa.
📍 Fontes: The Daily Signal, Gazeta do Povo, CNN Internacional, O Povo Online
🗓️ Publicado em 13 de novembro de 2025
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