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Sexta-feira, 18 de Setembro de 2026

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Ronaldo 50 anos: Como Ronaldinho virou Fenômeno e encantou o Brasil e o mundo

Poucos atacantes conseguiram reunir velocidade, força, técnica e capacidade de improviso na mesma medida que Ronaldo Nazário. Antes mesmo de completar 20 anos, o brasileiro já havia deixado o Cruzeiro, atravessado a Holanda pelo PSV e chegado ao Barcelona como uma das grandes promessas do futebol mundial. O que veio depois transformou a promessa em …

Rondônia de Fato
Por Rondônia de Fato
Ronaldo 50 anos: Como Ronaldinho virou Fenômeno e encantou o Brasil e o mundo
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Ronaldo 50 anos: Como Ronaldinho virou Fenômeno e encantou o Brasil e o mundo

Poucos atacantes conseguiram reunir velocidade, força, técnica e capacidade de improviso na mesma medida que Ronaldo Nazário. Antes mesmo de completar 20 anos, o brasileiro já havia deixado o Cruzeiro, atravessado a Holanda pelo PSV e chegado ao Barcelona como uma das grandes promessas do futebol mundial.

O que veio depois transformou a promessa em referência: uma temporada avassaladora na Espanha, o impacto imediato na Itália, duas Bolas de Ouro, duas Copas do Mundo e uma coleção de jogadas que ajudaram a definir o que se esperava de um camisa 9 na década de 1990 e no início dos anos 2000.

Ronaldo completa 50 anos nesta sexta-feira (18), mas a passagem do tempo não diminuiu a dimensão de sua carreira. Pelo contrário. Em uma época em que atacantes eram cada vez mais cobrados pela quantidade de gols, ele construiu uma reputação que não depende apenas dos números totais.

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Seu futebol era reconhecido pela maneira como desmontava uma defesa: arrancadas em velocidade, mudanças bruscas de direção, dribles em progressão e uma capacidade incomum de finalizar mesmo depois de deixar marcadores para trás.

Foi no Barça, em 1996/97, que essa combinação ganhou escala mundial. Ronaldo marcou 47 gols em 49 partidas oficiais, fez 34 deles em LaLiga, conquistou a Copa do Rei, a Recopa Europeia e a Supercopa da Espanha.

O gol contra o Compostela, em outubro de 1996, sintetizou aquela temporada: ele recuperou a bola ainda no próprio campo, disparou, resistiu às faltas e terminou a jogada com uma finalização precisa. O apelido de Fenômeno deixou de ser somente uma descrição e passou a acompanhar definitivamente o jogador.

Da explosão na Europa ao camisa 9 que assustava adversários

Ronaldo celebra gol pela InterRonaldo celebra gol pela Inter (Foto: Buzzi / IMAGO)

A mudança para a Internazionale, em 1997, colocou Ronaldo diante de uma realidade diferente. A Serie A era marcada por defesas fortes e sistemas extremamente preocupados com a organização sem a bola. Ainda assim, o brasileiro produziu 34 gols em sua primeira temporada pelo clube, sendo 25 no Campeonato Italiano e seis na Copa da Uefa, conquistada pela equipe.

Foi também naquele período que a imagem de Ronaldo como um atacante praticamente impossível de controlar ganhou força entre os próprios adversários.

Alessandro Nesta, que esteve diante do brasileiro na histórica final da Copa da Uefa de 1998, classificou o brasileiro como o atacante mais difícil que enfrentou e, anos depois, voltou a lembrar daquele duelo como um verdadeiro pesadelo. Fabio Cannavaro foi ainda mais direto: ao ser questionado sobre o adversário que mais dificuldades lhe causou, apontou Ronaldo e afirmou que precisava “rezar” quando o via pela frente.

O problema é que a mesma fase em que Ronaldo atingia o auge de sua explosão física também marcou o início de uma sequência de lesões que mudaria sua carreira. O joelho direito já havia exigido cuidados ainda no PSV, mas os episódios mais graves aconteceram na Inter.

Em novembro de 1999, contra o Lecce, ele sofreu uma ruptura do tendão patelar do joelho direito. Depois de meses de recuperação, voltou a jogar em abril de 2000 e, praticamente no primeiro lance, sofreu uma nova lesão no mesmo local. A recuperação se estendeu por mais de um ano.

Foi nesse contexto que a história ganhou seu capítulo mais simbólico.

O Fenômeno contra o próprio corpo

Ronaldo marcou os dois gols do título mundial de 2002, diante da Alemanha Ronaldo marcou os dois gols do título mundial de 2002, diante da Alemanha (Foto: Bildbyran / IMAGO)

Ronaldo chegou à Copa do Mundo de 2002 cercado por dúvidas. Havia passado praticamente dois anos convivendo com problemas no joelho e chegava ao torneio sem o ritmo de competição ideal. Ainda assim, Luiz Felipe Scolari apostou no atacante, enquanto a comissão técnica brasileira administrava cuidadosamente sua preparação. A resposta veio nos campos da Coreia do Sul e do Japão.

Ronaldo marcou oito gols em sete partidas, terminou como artilheiro e foi decisivo justamente no jogo que entrou para a história. Na final contra a Alemanha, em Yokohama, Oliver Kahn havia segurado o Brasil durante boa parte do confronto. Até que Ronaldo apareceu duas vezes no segundo tempo.

Primeiro, aproveitou o rebote de um chute de Rivaldo. Depois, recebeu passe de Kléberson, contou com a movimentação de Rivaldo e bateu de primeira para fazer 2 a 0. O Brasil era pentacampeão, e o atacante que havia passado por duas cirurgias no joelho terminava a Copa como principal goleador.

Aquela recuperação foi muito mais do que um retorno aos gramados. Ela reposicionou Ronaldo na história do futebol.

Quatro anos depois da derrota para a França na final de 1998, quando havia chegado ao torneio como grande esperança brasileira, ele voltou ao palco máximo e decidiu a partida mais importante. Até hoje, os 15 gols marcados em Mundiais fazem dele o maior goleador brasileiro na história da competição.

Real Madrid, últimos anos e uma marca que ficou

Ronaldo em ação pelo Real MadridRonaldo em ação pelo Real Madrid (Foto: Ulmer / IMAGO)

Depois do Mundial de 2002, Ronaldo voltou ao futebol de clubes pelo Real Madrid. Estreou no Santiago Bernabéu contra o Alavés e precisou de um minuto para marcar. Ao todo, balançou as redes 104 vezes em 177 partidas pelo gigante merengue, conquistou duas LaLigas, uma Copa Intercontinental e uma Supercopa da Espanha, além de terminar a temporada 2003/04 como artilheiro do Campeonato Espanhol.

Vieram ainda Milan e Corinthians. No clube paulista, já longe da versão fisicamente devastadora que havia encantado a Europa, Ronaldo conseguiu produzir mais um capítulo importante: foi campeão paulista e da Copa do Brasil em 2009 e ajudou o Timão a voltar ao cenário internacional. Em 2011, aos 34 anos, anunciou a aposentadoria, encerrando uma carreira que também teve passagens por Cruzeiro e PSV antes da consagração na Europa.

Os números ajudam a contar essa história, mas não explicam completamente o tamanho de Ronaldo. Sua trajetória ficou marcada por gols, títulos e prêmios — entre eles duas Bolas de Ouro, em 1997 e 2002 —, mas principalmente pela impressão deixada em quem o viu jogar.

Ronaldo foi um centroavante capaz de conduzir a bola desde o meio-campo, enfrentar vários defensores em velocidade, driblar o goleiro e finalizar com os dois pés. Um atacante que parecia ter sido desenhado para o futebol de transição que se tornaria cada vez mais comum, embora tenha feito isso quando ainda era raro encontrar um camisa 9 com tamanha mobilidade.

É por isso que, aos 50 anos, a lembrança do Fenômeno não depende de uma estatística específica. Ela aparece na imagem de um jovem de 20 anos atravessando a defesa do Compostela, no San Siro deixando adversários para trás, no corte seco diante de Oliver Kahn e naquele penteado de dois riscos na cabeça depois dos dois gols na final de 2002.

Ronaldo não precisou de uma carreira linear para entrar na história. Talvez tenha sido justamente o contrário: foi a capacidade de voltar quando parecia impossível que fez seu legado ultrapassar os números e transformar o camisa 9 em uma referência que continua sendo lembrada por jogadores que o enfrentaram, torcedores que o acompanharam e gerações que só conheceram suas jogadas pelos vídeos.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Calvano
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