O chamado Caso Master — que começou com a liquidação extrajudicial do Banco Master e se estendeu para outras instituições ligadas ao conglomerado — gerou um impacto financeiro sem precedentes no Fundo Garantidor de Créditos (FGC): cerca de R$ 51,8 bilhões em garantias a serem pagas a credores. Esse montante representa aproximadamente 48% do lucro líquido combinado dos quatro maiores bancos brasileiros (“bancões”) em 2025, que somaram R$ 107,8 bilhões.
O rombo no fundo é resultado da soma de valores referentes às liquidações do próprio Banco Master, que responde por cerca de R$ 40,6 bilhões, do Will Bank (R$ 6,3 bi) e, mais recentemente, do Banco Pleno (R$ 4,9 bi). Essas instituições integravam ou estiveram ligadas ao grupo Master, cuja intervenção começou em novembro de 2025 por determinação do Banco Central do Brasil diante de sinais de irregularidades financeiras e deterioração de liquidez.
O FGC, uma entidade privada mantida pelas próprias instituições financeiras para proteger depósitos e investimentos de até R$ 250 mil em casos de insolvência, já desembolsou boa parte dos valores aos credores — em torno de 92% das garantias previstas para o Banco Master, beneficiando cerca de 650 mil investidores até esta quarta-feira (18). Ainda assim, o fundo continua no processo de pagamento dos demais valores relativos ao Will Bank e Pleno, após a consolidação das informações detalhadas dos credores pelo liquidante nomeado pelo Banco Central.
O episódio expõe a dimensão das consequências que uma falência bancária de grande porte pode ter sobre o sistema financeiro e levanta discussões sobre a sustentabilidade do modelo atual de proteção aos investidores — especialmente diante de possíveis novas demandas de cobertura do FGC em crises futuras.
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