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Quarta-feira, 15 de Abril de 2026

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Privatização da BR Distribuidora pode prejudicar consumidor em momentos de crise

Especialistas apontam que venda da empresa reduziu capacidade de intervenção do Estado no mercado de combustíveis.

Rondônia de Fato
Por Rondônia de Fato
Privatização da BR Distribuidora pode prejudicar consumidor em momentos de crise
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Especialistas e entidades do setor de petróleo afirmam que os aumentos expressivos no preço dos combustíveis registrados em algumas regiões do país não estão ligados apenas à instabilidade internacional. Para analistas, a privatização da BR Distribuidora reduziu o controle estratégico do Estado sobre a cadeia de abastecimento de combustíveis no Brasil.

Há relatos de postos em São Paulo vendendo o litro da gasolina por até R$ 9, valor considerado elevado mesmo diante das oscilações do mercado internacional.

Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a venda da distribuidora enfraqueceu a estrutura integrada que existia anteriormente, quando a Petrobras atuava em toda a cadeia do setor, da produção à venda final ao consumidor.

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Aumento de preços nos postos

O alerta sobre a alta dos preços partiu de Ticiana Alvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).

De acordo com nota divulgada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), alguns postos têm elevado os preços de forma desproporcional, mesmo sem reajustes equivalentes nas refinarias da Petrobras.

O coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, afirma que distribuidoras e revendedoras estariam ampliando suas margens de lucro em meio às tensões internacionais.

“Os combustíveis chegam na bomba com acréscimo em torno de 40% para o consumidor final”, calculou o dirigente em entrevista.

Perda de integração no setor

Para Bacelar, a situação ocorre porque subsidiárias estratégicas da Petrobras no setor de distribuição foram privatizadas, incluindo a BR Distribuidora e a Liquigás.

Segundo ele, quando a estatal atuava em todas as etapas da cadeia – exploração, transporte, refino, distribuição e comercialização – era possível adotar políticas de preços diferenciadas para reduzir impactos ao consumidor.

“A antiga Petrobras era uma empresa integrada, do poço ao posto”, afirmou.

A avaliação também é compartilhada por especialistas da academia. O professor de Engenharia de Petróleo da Universidade Federal Fluminense (UFF), Geraldo de Souza Ferreira, explica que a presença do Estado em setores estratégicos permite maior capacidade de intervenção em momentos de crise.

“Quando se retira uma empresa pública de determinado setor da cadeia produtiva, o Estado perde ferramentas institucionais para intervir”, disse.

Lucro da nova controladora

Atualmente, a antiga BR Distribuidora opera sob controle da Vibra Energia, empresa que adquiriu a companhia durante o processo de privatização.

A Vibra informou que registrou lucro líquido de R$ 679 milhões em 2024. Segundo o presidente da empresa, Ernesto Pousada, os resultados demonstram a capacidade de crescimento da companhia e a expansão das margens operacionais.

Privatização sem autorização do Congresso

A Petrobras perdeu o controle da BR Distribuidora em julho de 2019, durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro. A privatização total da empresa foi concluída dois anos depois.

O processo ocorreu sem consulta ao Congresso Nacional do Brasil, com base em entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 5624.

Na decisão, a Corte entendeu que a venda do controle de empresas públicas exige autorização legislativa, mas essa exigência não se aplica à venda de subsidiárias, desde que sejam respeitados os princípios da administração pública.

Medidas para conter alta do diesel

Diante da pressão sobre os preços, o governo federal anunciou medidas para reduzir o impacto no bolso do consumidor.

Entre elas está o zeramento das alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel, que reduz cerca de R$ 0,32 por litro. Além disso, foi editada a Medida Provisória nº 1.340, que autoriza uma subvenção econômica adicional de R$ 0,32 por litro para a comercialização do combustível.

No total, as medidas representam redução de R$ 0,64 por litro no preço do diesel.

O governo também criou uma sala de monitoramento para acompanhar o comportamento do mercado de combustíveis no país e no exterior. Na última semana, representantes do governo se reuniram com distribuidoras, que sugeriram ampliar a importação de diesel para garantir o abastecimento e reduzir a volatilidade dos preços.

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FONTE/CRÉDITOS: Admin User
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