O Ministério da Saúde anunciou o repasse de R$ 12 milhões para fortalecer as ações de vigilância e controle da doença de Chagas em 17 estados brasileiros. O investimento visa ampliar a capacidade de resposta em 155 municípios considerados prioritários, com foco no monitoramento de vetores e na detecção precoce de focos. Segundo a pasta, a seleção das cidades seguiu critérios técnicos de vulnerabilidade socioambiental, priorizando localidades com risco muito alto de transmissão e registro recente do inseto “barbeiro”, principal transmissor do parasita Trypanosoma cruzi.
Além das ações de campo, o governo federal destinou R$ 8,6 milhões para a segunda fase do projeto Selênio, realizado em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A pesquisa avalia a eficácia do mineral como terapia complementar para pacientes com cardiopatia chagásica crônica. Por possuir propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, o selênio pode se tornar uma nova tecnologia incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) para proteger o coração de pacientes que desenvolveram sequelas graves da enfermidade.
O cenário epidemiológico recente reforça a necessidade da medida. Em 2024, o Brasil registrou 3.750 óbitos pela doença, com maior incidência na região Sudeste. Já em 2025, dados preliminares apontam 627 casos agudos a grande maioria na região Norte e mais de 8 mil casos crônicos, concentrados em estados como Minas Gerais, Bahia e Goiás. A transmissão pode ocorrer pela picada do inseto, pelo consumo de alimentos contaminados (como açaí ou caldo de cana mal processados) ou de forma vertical, de mãe para filho durante a gestação.
Para prevenir a infecção, as autoridades de saúde recomendam o uso de telas em portas e janelas, repelentes em áreas de mata e cuidados rigorosos na manipulação de alimentos, como a lavagem cuidadosa de frutas e hortaliças. O diagnóstico rápido é essencial, especialmente na fase aguda, onde os sintomas incluem febre persistente e inchaço. Sem o tratamento oportuno, a doença pode evoluir para a fase crônica, causando aumentos graves no coração e no sistema digestivo que podem levar à morte anos após o contágio.
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