A derrota por 2 a 0 para o Chelsea acrescentou mais um capítulo à crise do Manchester United. O time de Old Trafford chegou ao nono jogo seguido sem vitória, caiu para a 17ª colocação da Premier League e viu Michael Carrick sair de Stamford Bridge ainda mais pressionado.
Mas o problema já não passa apenas pelos resultados. Nas últimas semanas, dois dos jogadores mais experientes do elenco, Bruno Fernandes e Lisandro Martínez, protagonizaram episódios que aumentaram a pressão em torno do trabalho do treinador.
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Bruno Fernandes e Lisandro Martínez acumulam episódios de tensão
A sequência começou com Lisandro, após a derrota por 2 a 0 para o Atlético de Madrid pela Champions League. O argentino criticou publicamente o planejamento do clube e citou o diretor de futebol Jason Wilcox ao cobrar maior investimento no elenco.
Depois de uma reunião com Carrick e dirigentes, o zagueiro pediu desculpas publicamente. O clube também teria aplicado uma multa ao argentino.
Poucos dias depois, foi a vez de Bruno Fernandes. Após a dura derrota por 4 a 1 para o Como, o capitão questionou a forma como o United pressionou o adversário e deixou no ar uma crítica ao plano da comissão técnica.
Carrick o deixou no banco contra o Bournemouth. Depois, os dois tiveram uma conversa direta para tentar encerrar o episódio, e Bruno Fernandes voltou ao time titular diante do Chelsea.
O United conseguiu competir durante boa parte do jogo em Stamford Bridge, mas a partida mudou no segundo tempo. Depois de Morgan Rogers abrir o placar, Lisandro Martínez atingiu Wesley Fofana com o braço, recebeu cartão vermelho direto e ainda concedeu o pênalti convertido por Cole Palmer.
Os líderes estão deixando Carrick na mão?
Há argumentos para dizer que sim. Bruno Fernandes é o capitão, Lisandro Martínez é um dos jogadores mais experientes do elenco, e Carrick precisa justamente de estabilidade de seus líderes em um momento de enorme pressão.
Wayne Rooney classificou o comportamento recente do elenco como egoísta e criticou a tendência de alguns jogadores de transferirem parte da responsabilidade após derrotas.
Nesse contexto, a expulsão do argentino contra o Chelsea ganha um peso a mais. Não foi apenas um erro técnico ou uma falha defensiva, mas um momento de indisciplina de um jogador experiente em uma partida que ainda estava aberta. Ao mesmo tempo, chamar o comportamento dos dois de sabotagem seria ir longe demais.
Além disso, a crise é muito maior do que dois jogadores. O United não vence há nove partidas, sofre com lesões, suspensões e falta de boas opções em algumas posições. Contra o Chelsea, a equipe ainda conseguiu ser superior durante parte do primeiro tempo antes de perder o controle do jogo.
O que muda é o peso de cada episódio. Em um time confiante, uma declaração pública ou uma expulsão pode ser absorvida rapidamente. Em um United que já está perto da zona de rebaixamento e com o treinador sob pressão constante, qualquer erro de um líder amplia ainda mais a sensação de instabilidade.
Os dois talvez não estejam tentando enfraquecer Carrick, mas o técnico precisa que seus jogadores mais experientes façam exatamente o contrário: diminuam a pressão e ajudem a equipe a encontrar algum controle em meio à pior sequência da temporada.
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