Um esquema de fraude no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) causou prejuízos bilionários a aposentados e pensionistas em todo o país. Segundo dados obtidos com exclusividade por nossa equipe, ao menos 4 milhões de beneficiários foram atingidos por descontos indevidos em seus pagamentos, que juntos somam mais de R$ 6 bilhões.
O escândalo provocou uma crise política em Brasília e levou à queda do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, nesta semana. Pressionado por denúncias cada vez mais graves, Lupi entregou o cargo após reunião com o presidente da República.
Fontes ligadas à Polícia Federal revelaram que o inquérito aponta para a atuação de diversas associações em todo o país, que promoviam descontos nos benefícios dos segurados sem consentimento. Em Sergipe, onde parte da investigação se concentra, duas associações estão entre as principais suspeitas de participação no esquema.
A perícia da PF identificou que essas entidades foram constituídas com o uso de documentos falsificados, incluindo assinaturas forjadas em registros oficiais. Essas associações, segundo os investigadores, eram usadas para aplicar os descontos sob o pretexto de oferecer serviços ou filiação, sem que os segurados tivessem conhecimento ou anuência.
O golpe funcionava através de convênios entre as entidades e o próprio INSS, que autorizavam os descontos diretamente na folha de pagamento dos beneficiários. Muitos dos atingidos só descobriram os valores descontados ao analisarem extratos bancários ou ao procurarem agências do INSS para contestar os pagamentos.
A Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU) também acompanham o caso e devem ampliar as investigações. O governo federal prometeu rever todos os convênios com entidades que operam descontos em benefícios e garantir ressarcimento aos lesados.
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