O presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Raul Jungmann, revelou ao portal Metrópoles que os Estados Unidos, por meio de sua embaixada no Brasil, demonstraram interesse estratégico pelos minerais brasileiros. O contato inicial ocorreu em abril, durante conversas preliminares com representantes do governo do ex-presidente Donald Trump.
Jungmann destacou que, na reunião mais recente, realizada em 23 de maio, os diplomatas norte-americanos reforçaram a intenção de estabelecer parcerias focadas especialmente em minerais críticos e estratégicos. “Dissemos que a Constituição brasileira determina que o subsolo pertence à União, então essa negociação deve ser feita com o governo federal”, afirmou o presidente do Ibram.
Apesar disso, o setor mineral brasileiro está disposto a tratar com o setor privado dos EUA. “Estamos discutindo se nós vamos até lá, ou se eles vêm até aqui, a depender de contratos a serem firmados. Queremos sair de uma situação de perde-perde para uma relação benéfica entre as partes”, afirmou Jungmann.
O presidente do Ibram também informou que relatou os contatos com a embaixada dos EUA ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. No entanto, segundo ele, o governo ainda não avançou em uma estratégia clara sobre como pretende conduzir esse diálogo. “O Geraldo agradeceu, mas se guardou para definir no âmbito do governo”, relatou.
Ainda de acordo com Jungmann, os representantes norte-americanos demonstraram surpresa com a limitação atual da relação comercial entre os dois países no setor mineral. “Eles vieram para perguntar ‘por que temos uma relação tão pequena?’, ‘por que não ampliamos?’”, contou.
Para os próximos dias, o Ibram deve definir se enviará uma comitiva aos Estados Unidos ou se receberá empresários norte-americanos no Brasil para aprofundar as negociações.
O interesse por minerais críticos — como nióbio, lítio e terras raras — vem crescendo globalmente, especialmente por seu uso em tecnologia de ponta e transição energética. O Brasil, que possui vastas reservas desses insumos, pode se tornar peça-chave nas cadeias globais de fornecimento, mas o posicionamento do governo federal será determinante nos próximos passos.
Comentários: