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Sabado, 26 de Setembro de 2026

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Discurso de Ancelotti é diferente da prática em setor em crise na seleção brasileira

O empate da seleção brasileira com a Austrália não deve ser de grandes conclusões para Carlo Ancelotti. É apenas o primeiro teste desde a dura eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 para a Noruega. No entanto, o técnico italiano pode ser questionado por não ter cumprido com algo que tratou …

Rondônia de Fato
Por Rondônia de Fato
Discurso de Ancelotti é diferente da prática em setor em crise na seleção brasileira
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Discurso de Ancelotti é diferente da prática em setor em crise na seleção brasileira

O empate da seleção brasileira com a Austrália não deve ser de grandes conclusões para Carlo Ancelotti. É apenas o primeiro teste desde a dura eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 para a Noruega. No entanto, o técnico italiano pode ser questionado por não ter cumprido com algo que tratou como uma prioridade no ciclo: a necessidade de renovar o meio-campo.

Em entrevistas após a queda no Mundial, o italiano citou a Espanha, campeã do mundo, como exemplo na formação de meias, citou a necessidade de trabalho junto às categorias de base para encontrar novos perfis para o setor e procurou nomes diferentes dos que testou em mais de um ano no cargo.

A convocação para os amistosos com Austrália e Índia trouxe novidades, casos de Breno Bidon, Douglas Luiz, Gabriel Bontempo e Matheus Martinelli. Entre eles, porém, só um ganhou minutos. A prioridade que o setor ganharia só ficou no discurso. No gramado, o Brasil não teve meio-campo.

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Meio-campo esvaziado foi a tônica da seleção brasileira contra Austrália

Naturalmente, a Seleção teve mais a bola contra um adversário abaixo tecnicamente e que tem o físico como sua maior arma. A Austrália fez sua parte: se retrancou em um 5-4-1 — mas sem deixar de escapar ao ataque — e impôs grande dificuldade ao Brasil na fase mais avançada de construção.

Com a bola no grande círculo, o selecionado de Ancelotti tinha estrutura bem clara: o 4-2-4 no papel virava uma espécie de 3-1-6 com o movimento de Danilo para se juntar aos zagueiros na saída de bola e tendo apenas Bruno Guimarães à frente deles. Os dois laterais, Douglas Santos e Matheuzinho, projetavam-se e davam liberdade para Estêvão e Vinícius Junior se somarem a Raphinha e Endrick por dentro.

Essa estrutura encaixotou Guimarães na marcação adversária. Muitas vezes, ele se via sozinho no meio de três australianos e não conseguia ser acionado em fases mais avançadas. Só conseguia tocar na bola se recuasse para próximo da defesa.

Para solucionar essa inferioridade numérica pelo centro, os atacantes poderiam flutuar entre as linhas ou até recuar mais para dar opção de passe. Isso até ocorreu em alguns momentos, em especial com Raphinha, mas, normalmente, os seis nomes da frente ficaram fixos à última linha australiana e buscavam sempre o ataque nas costas da marcação.

Com isso, Danilo e os zagueiros tinham pouca opção quando tinham a posse. Até por isso, a seleção brasileira lançou tanto: foram tentados 48 lançamentos, com eficácia de apenas 40% (19 do total). “Tivemos a bola, mas não criamos muitas chances com dinâmica. Muita bola longa, o time não estava compactado”, assumiu o capitão Marquinhos após a partida.

Estrutura da seleção brasileira no momento ofensivo contra a AustráliaEstrutura da seleção brasileira no momento ofensivo contra a Austrália (Foto: Reprodução/getv)Bruno Guimarães em inferioridade no meio-campo em Austrália x BrasilBruno Guimarães em inferioridade no meio-campo em Austrália x Brasil (Foto: Reprodução/getv)Estrutura da seleção brasileira no momento ofensivo contra a AustráliaEstrutura da seleção brasileira no momento ofensivo contra a Austrália (Foto: Reprodução/getv)

No segundo tempo, o esquema continuou o mesmo. Douglas Luiz substituiu Guimarães e Danilo atuou por todos os 90 minutos.

Ou seja, pareceu mais a continuação da ideia de Ancelotti de ter um time vertical para potencializar Vini Jr e Raphinha, visto no ciclo até a Copa, do que priorizar o meio-campo, setor em crise e que precisa de novas soluções, como o próprio treinador disse.

— E, nesse momento, eu posso dizer: há carência de meio-campistas, e a CBF espera que, nos próximos quatro anos, o futebol brasileiro possa produzir meio-campistas — disse Carletto à “CNN”.

Qual é a solução? Ancelotti já sabe

O 4-2-4 é uma polêmica antiga da seleção brasileira com Ancelotti. Foi a primeira formação que realmente encaixou, ainda antes da Copa, tendo Casemiro e Guimarães no meio e Estêvão, Rodrygo, Vinícius Júnior e Matheus Cunha no ataque.

No entanto, com várias lesões, Carletto foi alterando sua ideia. Durante o Mundial, implementou um meio-campo com três homens, ideia que permaneceu até o fim da campanha.

Ter mais um meio-campista garante ao Brasil que tenha ao menos igualdade numérica e o centro melhor ocupado. O técnico assumiu que pode voltar a essa formação na próxima partida. “Às vezes jogaremos com o sistema de hoje e podemos jogar também com três meio-campistas”, disse na entrevista coletiva após o empate.

Só um meio-campista não é o único caminho. Se as movimentações dos atacantes de apoio fossem mais frequentes, a Seleção poderia encontrar formas de avançar no campo sem ser pelas jogadas longas. Essas movimentações já deveriam ser mais naturais com Ancelotti após mais de um ano de trabalho.

A formação com inferioridade numérica por dentro parecia um capítulo encerrado, mas voltou à tona e tem rendido críticas. A ver se mudanças serão feitas na próxima terça (29), com novo amistoso com a Austrália. Em 3 de outubro, visita a Índia para encerrar a atual Data Fifa e só retorna em novembro.

FONTE/CRÉDITOS: Carlos Vinicius Amorim
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