A ambiciosa proposta do presidente Lula de apresentar, durante a COP30 em Belém, um “mapa do caminho” para eliminar os combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão) está encontrando forte oposição de países produtores, segundo diplomatas que acompanham a conferência.
A ideia começou a ser construída desde a edição anterior da conferência, a COP28, em Dub ai, onde foi incluída a recomendação de que os 198 países-membros da convenção adotem ações para alcançar a neutralidade de carbono até 2050.
No entanto, para que o Brasil avance com metas concretas nesta edição, o caminho está barrado: países com economia fortemente ligada à extração de petróleo e gás — como os do Golfo Árabe — demonstram receio de assumir compromissos, o que torna improvável que o Brasil consiga aprovar a proposta como um item vinculante da agenda global da COP30.
Nos bastidores, negociadores internacionais avaliam que o Brasil corre o risco de ficar isolado se insistir em um plano mais ambicioso do que os demais países produtores. Em uma reunião prévia à conferência, a Arábia Saudita manifestou desconforto com o tema.
O próprio governo brasileiro tem adotado discurso de transição – como defendeu o presidente Lula ao afirmar que “precisamos de transição justa e planejada para combustíveis fósseis”.
Mas simultaneamente, o país enfrenta críticas por autorizar perfurações para exploração petrolífera, inclusive em áreas como a foz do Rio Amazonas, o que gera contradição entre discurso e prática.
Por que isso importa
A COP30 assume papel estratégico não apenas no Brasil, mas globalmente, pois a Amazônia e o Sul Global são consideradas peças centrais na agenda climática. Uma proposta de descarbonização que enfrenta bloqueios pode indicar que metas mais amplas serão adiadas ou suavizadas.
Para o Brasil, a posição adotada representa risco político: se assumida isoladamente, pode ter repercussões sobre investimentos, imagem e negociações de financiamento climático.
Nos bastidores, o setor privado, governos estaduais e municipais são apontados como alternativas para viabilizar a agenda — mas com menos poder vinculante que uma decisão no âmbito da conferência global.
O que vem a seguir
Durante os próximos dias da COP30, será avaliada a incorporação da proposta brasileira à “Agenda de Ação” da conferência, provavelmente em formato não-vinculante. O sucesso dependerá da mobilização internacional, da articulação entre governo federal, estados e setor privado, e da capacidade do Brasil de negociar com países produtores.
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