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Terça-feira, 06 de Outubro de 2026

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Base, regra de estrangeiros e mais: Tim Vickery opina sobre as mudanças no Brasileirão

A decisão da CBF de reduzir gradualmente o limite de jogadores estrangeiros no Campeonato Brasileiro, de nove para cinco até 2030, reacendeu o debate sobre os caminhos para melhorar a formação de atletas no país. Para o jornalista Tim Vickery, colunista da Trivela, a medida ataca um sintoma e não a causa real do problema: …

Rondônia de Fato
Por Rondônia de Fato
Base, regra de estrangeiros e mais: Tim Vickery opina sobre as mudanças no Brasileirão
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Base, regra de estrangeiros e mais: Tim Vickery opina sobre as mudanças no Brasileirão

A decisão da CBF de reduzir gradualmente o limite de jogadores estrangeiros no Campeonato Brasileiro, de nove para cinco até 2030, reacendeu o debate sobre os caminhos para melhorar a formação de atletas no país. Para o jornalista Tim Vickery, colunista da Trivela, a medida ataca um sintoma e não a causa real do problema: as falhas estruturais na base dos clubes, que priorizam resultados imediatos em vez do desenvolvimento de longo prazo dos jovens jogadores.

O tema foi discutido na décima segunda edição do programa “Futebol em Contexto”, da Trivela, que analisou as mudanças promovidas pela entidade na gestão de Samir Xaud, incluindo a nova regra de estrangeiros e a proposta de grade fixa de horários para o Brasileirão.

Reduzir estrangeiros não vai melhorar a seleção brasileira

Gabriel Bontempo pela seleção brasileiraGabriel Bontempo pela seleção brasileira (Foto: Alamy / Icon Sport)

Logo no início do debate, Vickery foi direto ao questionar a premissa de que restringir estrangeiros trará benefícios à seleção brasileira. Para o jornalista inglês, existe hoje um descolamento entre os campeonatos nacionais e as seleções em praticamente todos os países do mundo, e o Brasil não seria diferente.

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“A primeira coisa que eu gostaria de argumentar é que eu acho que muitas coisas que a gente vai falar hoje, mudanças dentro do Campeonato Brasileiro, as consequências em cima da Seleção, eu acho que vão ser muito poucas. Hoje em dia, a gente tem uma situação de descolamento entre o campeonato e a seleção em quase todos os países. Você pode falar que a Premier League é referência, mas os melhores dois jogadores da seleção inglesa jogam fora (Jude Bellingham e Harry Kane)”, afirmou Vickery.

O colunista reconheceu, porém, que existe um argumento mais sólido a favor da redução: o envelhecimento dos elencos do Brasileirão. Para Vickery, independentemente da nacionalidade, a idade média dos jogadores no campeonato vem subindo, o que afeta a intensidade do jogo. Ele citou a Colômbia como exemplo de mercado vendedor onde os elencos são compostos predominantemente por jovens.

“Eu acho que o argumento melhor fundamentado pra tomar essa medida é a idade. Mas pra mim, cinco é excessivo. Eu talvez reduziria para sete. A ideia de que assim brota mais jogadores pra seleção não me convence nem um pouco, porque tem uma série de outros fatores em como você está formando os seus próprios jogadores. Não é somente uma questão de botar lá no campo pra ver o que acontece. O Brasil, na base, tem problemas mais profundos do que isso aí”, pontuou.

O problema real está nas categorias de base

Breno Bidon, de 21 anos, em ação pelo CorinthiansBreno Bidon, de 21 anos, em ação pelo Corinthians (Foto: IMAGO / Sports Press Photo)

Para Vickery, o cerne da questão é o modelo de incentivos que rege o futebol de base no Brasil. Segundo ele, os técnicos das categorias inferiores são avaliados por títulos, e não pelo desenvolvimento dos atletas, o que leva a escolhas táticas voltadas para o curto prazo.

O jornalista usou como exemplo as últimas edições do Sul-Americano Sub-20, vencidas pelo Brasil com o técnico Ramon Menezes. Segundo Vickery, o time foi montado para vencer fisicamente um torneio com nove jogos em três semanas.

“O time que o Brasil escalou foi um time fisicamente forte. Sem qualquer pretensão de ter a bola. É um time pra ser fisicamente forte pra durar os nove jogos da coisa e ganhar a taça. Mas a base nunca, nunca deveria ser sobre ganhar taça. Nunca”, enfatizou.

Para ilustrar, Vickery relembrou uma palestra do diretor do Barcelona para a La Masia, a base do clube catalão, dada a técnicos brasileiros. “Ele estava frisando isso: ‘Olha, do início do processo até o Barcelona B, resultado é muito secundário. A gente quer criar jogador.' Eu lembro que Mano Menezes era técnico da Seleção na época, ele foi lá e falou: ‘Isso é Brasil, a gente não pode pensar assim, não é permitido pensar assim, porque não tem projeto coletivo. Nossos projetos são individuais'”, recordou.

Inglaterra e Escócia: a mesma globalização, resultados opostos

Marc Guehi, zagueiro da Inglaterra, durante a partida da semifinal da Copa do Mundo 2026 entre Inglaterra e Argentina, no Atlanta Stadium, em Atlanta, nos Estados Unidos, em 15 de julho de 2026.Guehi durante Inglaterra x Argentina – semifinal do Mundial 2026. (Foto: Mutsu Kawamori/IMAGO / AFLOSPORT)

Vickery trouxe ainda a comparação entre Inglaterra e Escócia para demonstrar que o impacto dos estrangeiros depende de onde o país se encontra na hierarquia do futebol mundial. Segundo ele, a internacionalização da Premier League elevou o nível dos jogadores ingleses, que aprenderam com os melhores do mundo. Já na Escócia, o efeito foi devastador.

“A Escócia, historicamente, era um grande berço de jogadores. Mas os clubes escoceses não podem competir. O que eles fazem? É muito mais barato trazer um jogador da Noruega do que investir na formação. E obviamente, quem vai para jogar na Escócia não são os melhores”, analisou.

Para o colunista, o Brasil ocupa uma posição intermediária nessa cadeia: quando importa jogadores de alto nível, como Jhon Arias, do Fluminense, todos se beneficiam ao conviver com eles. O risco aparece quando os clubes trazem mediocridade só porque é mais barato do que investir na formação.

“Em linhas gerais, eu acho que você aprende muito trazendo os melhores. Você tem problema se está trazendo mediocridade só porque é mais barato do que formar”, concluiu Vickery.

FONTE/CRÉDITOS: Pedro Ramos
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