Real Madrid e Barcelona já se enfrentaram em finais, decidiram títulos, trocaram jogadores que mudaram a história dos dois clubes e produziram algumas das imagens mais famosas do futebol. Depois de mais de um século de rivalidade, porém, chegam ao próximo El Clásico em uma situação quase improvável: 106 vitórias para cada lado.
São 264 confrontos no total, com outros 52 empates. O próximo encontro, neste domingo, às 17h (de Brasília), no Camp Nou, pode portanto desfazer um equilíbrio construído desde o início do século passado. Real e Barça entram em campo não apenas por três pontos, mas com a possibilidade de assumir isoladamente a vantagem histórica no duelo.
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Barcelona x Real Madrid? Uma rivalidade muito além do futebol
O primeiro encontro aconteceu em 1902, pela semifinal da Copa de la Coronación, competição considerada precursora da Copa do Rei. O Barcelona venceu por 3 a 1, dando início a uma história que ganharia dimensões muito maiores nas décadas seguintes.
A rivalidade cresceu também pela oposição entre Madri e Barcelona, duas cidades com identidades políticas, sociais e culturais distintas. Durante a ditadura de Francisco Franco, o Barça passou a ser associado à identidade catalã, enquanto o Real foi frequentemente visto como um símbolo ligado ao poder central espanhol, ainda que essa relação histórica seja mais complexa do que muitas versões resumidas costumam sugerir.
Até o mercado ajudou a incendiar o confronto. Alfredo Di Stéfano esteve no centro de uma das maiores disputas entre os clubes. Barcelona e Real Madrid queriam o argentino depois de seu destaque pelo Millonarios, da Colômbia. O Barça chegou a negociar com o River Plate, mas a transferência entrou em conflito com outras questões contratuais e acabou bloqueada pela federação espanhola.
Uma solução chegou a prever que Di Stéfano alternasse entre os dois clubes. O Barcelona recusou. O atacante terminou no Real Madrid, onde marcou 308 gols e se transformou em uma das maiores lendas da história merengue. Décadas depois, a transferência de Luís Figo do Barça para Madri, motivada também pela falta de reconhecimento que o português sentia no clube catalão, acrescentaria outra camada de ressentimento à rivalidade.
De Ronaldo e Ronaldinho ao 6 a 2 de Guardiola
Para o público brasileiro, poucos El Clásicos são tão simbólicos quanto os disputados em 2005. Em abril daquele ano, o Real Madrid venceu por 4 a 2 no Santiago Bernabéu com uma equipe repleta de estrelas. Zidane e Ronaldo marcaram ainda nos primeiros 20 minutos, enquanto Raúl e Michael Owen completaram o placar. Roberto Carlos também fazia parte daquele elenco dos chamados Galácticos.
Sete meses depois, a imagem seria completamente diferente. O Barcelona venceu o Real por 3 a 0 em pleno Bernabéu, e Ronaldinho produziu uma das atuações mais famosas da história do confronto. O brasileiro marcou duas vezes e foi tão dominante que parte da torcida madridista se levantou para aplaudi-lo, uma cena particularmente rara em um jogo cercado por tamanha rivalidade.
Outro capítulo marcante veio em 2009, já no primeiro ano de Pep Guardiola como técnico do Barça. O time catalão venceu por 6 a 2 no Bernabéu, com dois gols de Lionel Messi e dois de Thierry Henry. A goleada praticamente encerrou a disputa pelo título espanhol naquela temporada, que terminaria com o histórico triplete do Barcelona.
Messi voltaria a produzir uma das imagens definitivas do Clásico em 2017. O argentino marcou o gol da vitória por 3 a 2 nos acréscimos no Bernabéu e comemorou levantando sua camisa diante da torcida madridista. Curiosamente, apesar daquela derrota, o Real seria campeão espanhol ao final da temporada.
A lista de jogos históricos ainda inclui o 3 a 2 do Barcelona na Supercopa de 2011, com dois gols de Messi, expulsões e a célebre confusão envolvendo José Mourinho e Tito Vilanova, além do 4 a 0 catalão no Bernabéu em 2015, mesmo com Messi começando aquela partida longe de sua melhor condição física.
Os números mais extremos do El Clásico
Se o retrospecto geral impressiona pelo equilíbrio, alguns recordes mostram o tamanho dos excessos produzidos pela rivalidade. O confronto com mais gols terminou em 6 a 6, em 1916. Já a maior goleada pertence ao Real Madrid, que aplicou 11 a 1 em 1943 pela Copa do Rei. A maior vitória do Barcelona foi um 7 a 2, sete anos depois.
Lionel Messi é o maior artilheiro da história do Clásico, com 26 gols. Sergio Busquets, por sua vez, é o jogador que mais vezes participou do confronto, com 48 aparições pelo Barcelona. Até os hat-tricks mostram equilíbrio entre épocas diferentes. Santiago Bernabéu, Jaime Lazcano e Ferenc Puskás conseguiram duas partidas de três gols pelo Real. Messi alcançou a mesma marca pelo Barcelona.
A disputa por troféus também permanece próxima, embora cada clube tenha construído sua supremacia em áreas diferentes. O Real Madrid possui vantagem em La Liga, com 36 títulos contra 29 do Barcelona, e uma diferença muito maior na Champions League, com 15 conquistas contra cinco.
O Barça leva a melhor na Copa do Rei, por 32 a 20, e na Supercopa da Espanha, por 16 a 13. No levantamento geral, contando também torneios extintos, são 106 troféus para o Real e 103 para o Barcelona.
Histórico de confronto entre Barcelona e Real Madrid
- 264 jogos
- 106 vitórias do Real Madrid
- 106 do Barcelona
- 52 empates.
Artilharia do El Clásico
- Lionel Messi (26 gols)
- Alfredo Di Stéfano e Cristiano Ronaldo (18 gols)
Jogadores com mais partidas do El Clásico
- Sergio Busquets (48)
- Lionel Messi e Sergio Ramos (45)
- Karim Benzema (43)
- Paco Gento e Manolo Sanchís (42)
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