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Terça-feira, 12 de Maio de 2026

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121 mortos em operação no Complexo do Alemão inclui dois adolescentes

A ação contra o Comando Vermelho deixou dois adolescentes, de 14 e 17 anos, entre os mortos, além de outros seis com menos de 20 anos, totalizando oito vítimas abaixo dessa faixa etária.

Rondônia de Fato
Por Rondônia de Fato
121 mortos em operação no Complexo do Alemão inclui dois adolescentes
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O balanço oficial de uma operação policial no Complexo da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, evidenciou a letalidade jovem ao registrar pelo menos 121 mortos, incluindo civis e agentes de segurança. A ação contra o Comando Vermelho deixou dois adolescentes, de 14 e 17 anos, entre os mortos, além de outros seis com menos de 20 anos, totalizando oito vítimas abaixo dessa faixa etária.

Tragédia na comunidade atinge jovens

A lista de mortos, divulgada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, revelou a idade dos civis e continha anotações criminais e postagens em redes sociais que, segundo a polícia, indicavam ligação dos mortos com o tráfico de drogas. Pelo menos um em cada três assassinados era jovem, com até 25 anos.

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A pessoa mais velha entre os mortos completaria 55 anos em 2025, no entanto, mais da metade tinha 30 anos ou menos.

Adolescentes eram frequentadores de bailes

 

O adolescente de 14 anos, morador de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, foi morto após ir a bailes nos complexos. O pai do menino, Samuel Peçanha, trabalhador de serviços gerais, relatou à Agência Brasil o sofrimento da família, que buscou o garoto na capital. Samuel contou que o filho saiu para os bailes e “simplesmente sumiu”.

“Eu falei com ele 8h40, e ele disse que ia vir”, lembrou Samuel, cobrando o retorno do filho para casa na manhã da ocorrência, antes de o telefone do garoto “se calar”. O jovem foi encontrado na mata, área de confronto com o Batalhão de Operações Especiais (Bope).

A família do adolescente de 17 anos não foi localizada pela reportagem. O avô do jovem, que o criou como filho, lamentou em entrevista ao Jornal O Globo a perda para o crime, classificando a situação como “perder o filho duas vezes”.

Polícia minimiza falta de antecedentes criminais

Apesar de imprecisões na lista oficial, como o erro na data de nascimento de pelo menos um dos mortos (Yago Ravel, de 19 anos), a polícia incluiu supostas provas de ligação com o tráfico. Um dos jovens foi associado à facção Comando Vermelho por ter postado figurinhas vermelhas em redes sociais.

No entanto, os dois adolescentes assassinados foram flagrados em redes sociais posando ao lado de fuzis. O secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, minimizou o fato de parte dos mortos não ter anotações criminais nem imagens portando armas. Curi defendeu que, se não tivessem reagido, teriam sido presos em flagrante por porte de armamentos e por crimes de organização criminosa, classificando-os como “narcoterroristas”.

Ativista culpa o racismo e a ausência do Estado

A ativista de direitos humanos e uma das fundadoras do Movimento Moleque, Mônica Cunha, criticou a alta incidência de jovens vítimas na operação, atribuindo a situação ao racismo estrutural. Segundo ela, o racismo retira investimentos públicos de áreas mais pobres e de políticas públicas que atenderiam a população negra, como saúde, educação e cultura.

“O Estado produz esses meninos para, quando matar, ter uma justificativa”, avaliou. Mônica Cunha argumenta que a ausência de oportunidades e a rejeição do Estado abrem portas para organizações criminosas, que oferecem um sentimento de pertencimento. A ativista define essa lógica como genocida, por eliminar oportunidades de vida digna e pelo alto número de mortes, afirmando que a sociedade perde seu futuro.

FONTE/CRÉDITOS: Felipe Astor Martins da Costa Nova
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